terça-feira, 26 de janeiro de 2016

OSUN IJIMÚ É A FEITICEIRA DONA DA CABAÇA...


ÁGUAS DE OSALÁ.


A festa das Águas de Osalá relembra a teimosia do pai do branco.
Lembrando que: TODOS que prejudicaram osalá, morreram ou ficaram manetas, perderam suas casas, filhos, plantações e até a própria vida.
Osalá sente saudade do seu filho Sangô, rei de Oyo e vai visitá-lo. Para obedecer à previsão do destino (Orumilá), vai de branco e em silêncio absoluto. No meio do caminho, Exu lhe pede que o ajude a levantar do chão um pesado saco de carvão e depois um barril de azeite de dendê. Oxalá o faz. O saco estava furado e o barril também se derramou sobre Oxalá que suja toda sua roupa branca. Chegando ao reino do seu filho, Oxalá, todo sujo, é confundido com um bandido e é jogado na prisão por sete anos.
Neste tempo, o reino de Xangô enfrenta muitos problemas e um babalaô lhe diz que o reino passa por tantas adversidades porque o rei compactua com injustiças. Xangô vai então às prisões para averiguar se há injustiças e descobre entre os presos o próprio pai. Triste, coloca o velho pai em suas próprias costas e o conduz ao palácio onde ele mesmo se encarrega de banhá-lo e vestí-lo com as roupas mais brancas que existem, realizando a seguir uma grande festa em sua homenagem. A festa das Águas de Oxalá, com uma procissão representando a viagem de Oxalá, rememora este episódio.

QUALIDADES DE ÒRÌSÀ


O Òrìsà é único e qualidade é apenas uma referência do lugar por onde passou ou do local onde existia uma tribo africana que o cultuava.
Para ficar mais claro esta explicação, é preciso entender que na África Òrìsà é cultuado em cada região como um ancestral.
Certos Òrìsàs são tão importantes na cultura africana, que são considerados ancestrais de várias tribos, que habitam diversas regiões.
Por exemplo, Òsùn quando cultuada na cidade de Osógbó é Òsùn Osógbó. Já quando é cultuada na cidade de Ípóndá é conhecida como Òsùn Ípóndá. Ógùn da cidade de Irê é Ógún Oníré. Ógùn do Estado africano de Ondo, se tornou Ógùn de Ondô.
E assim aconteceu com todos os Orixás cultuados em solo africano: Sóngò, Obálúaíyé, Oyá, Odé, Osumarê, Obá, Ólogún, etc.
No Brasil, as tribos africanas que aqui chegaram por ocasião da escravidão, vindas de diversas regiões, de várias etnias e culturas, trouxeram suas formas e jeitos de culto aos Òrìsàs: as cores, as cantigas, as comidas, as folhas, etc.
Hoje, estas várias formas e jeitos estão contidas e sintetizadas no Candomblé.
É fato que muita gente pensa que existem várias Òsùns, vários Sóngòs, vários Ógùns, etc. Mas na verdade, só existe um de cada um destes Òrìsàs.
Quando, por exemplo, se faz um ritual para Òsùn Ípóndá, está se fazendo algo para Òsùn de acordo com as tradições do povo daquela região. O mesmo acontece com Òsùn Osógbó. Porém, o Òrìsà em questão é o mesmo e é único: Òsùn.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

INCORPORAÇÃO NO BRASIL.


A questão da inconsciência e da consciência da manifestação corpórea da Divindade está e sempre estará relacionada a toda e qualquer religião que atue no campo do trabalho espiritual, ainda mais no que se refere aos dias atuais, onde diversos elementos tais como: desconfiança, descrença popular, crítica, medo, problemas pessoais e tantos outros, reinam no coração de muitos adeptos de nossa religião e esses elementos com toda a certeza podem dificultar a manifestação plena da Divindade, causando então uma manifestação parcial.
Para entendermos isso de uma forma mais clara, devemos eliminar certos conceitos que são tratados durante anos como verdade, sendo que são conceitos totalmente errôneos. O Orixá não nasce para ninguém, na verdade somos nós que nascemos para o Orixá, para o caminho do Orixá, o Orixá vem pronto, quem aprende, quem precisa aprender a lidar com a energia do Orixá manifestada em nosso corpo somos nós, para que o mesmo possa atuar em sua plenitude.
Em muitas fotos e vídeos referentes ao que é feito em outras Terras, como na África, no que se refere ao Culto ao Orixá, podemos observar que, na maioria das vezes, no “transe” ou na manifestação corpórea da Divindade, esta encontra-se manifestada de olhos abertos.
A questão é que, no Brasil, criou-se um certo Tabu de que o Orixá deve vir com os “olhos cerrados”. Na minha opinião, isso varia de indivíduo para indivíduo. Cada ser humano possui a sua particularidade e por este motivo cada um tem uma forma de ser, de agir e até mesmo de lidar com a energia espiritual. Além disso, podemos considerar que, em alguns casos, até mesmo a Consciência pode entrar em ação, apesar de não ter o controle de braços, pernas e ações enfim, o indivíduo pode estar vendo ou ouvindo tudo que se passa e isso não quer dizer que seja “marmotagem”; isso nada mais é do que a particularidade de cada ser.
A mesma questão cultural criou-se em torno do Orixá falar ou não falar.
A questão é que, enquanto em termos de África o Orixá muitas vezes conversa normalmente, canta e pode vir de olhos abertos, aqui no Brasil o Orixá, devido a questões culturais tais como o período da escravidão e após a mesma, onde os recém libertos tiveram que cultuar em silêncio, criou-se essa condição. E o Orixá tornou-se limitado dentro da ritualística, apenas falando em rituais internos em algumas casas, apenas falando na hora de dar o Oruko (nome), na hora do seu Ilà, que vem a ser o grito ou som emitido durante o transe. Todo o período da escravidão, todo o sofrimento de um povo, fez com que houvesse essa modificação ritualística e comportamental da Divindade, onde quem se tornou a voz do Orixá, aquele que traz o recado, que conversa, que fala, seria o Erê, uma divindade criança que se manifestaria após o transe do Orixá, uma manifestação que causa muitas discussões entre alguns adeptos.
Porém em alguns outros lugares podemos observar que pessoas que possuam uma idade maior referente ao culto, ou seja, idade de santo, algumas vezes os Orixás falam, ou seja, possuem uma conversação constante e não limitada.
Conclusão:
O que podemos concluir é que a nossa religião no Brasil, possui uma grande variedade Cultural, seja na parte ritualística, seja na questão histórica. Além disso, não podemos nos esquecer de que, apesar de não termos abordado aqui tal questão, a nossa religião além de rica em sua base, em conhecimento comum, ela é rica em termos regionais, em regionalidade, apesar de alguns tentarem negar, existem sim algumas diferenças de um local para o outro, mesmo que mínimas, o que torna o Candomblé uma religião infinitamente rica, que por mais que julgamos conhecer sempre temos algo para aprender. A religião em si desde sua existência, deve ser preservadora de sua base, de sua origem, mas ao mesmo tempo deve evoluir junto com o mundo e com a sua necessidade. O comportamento humano nos dias atuais é diferente, e até a forma de fé. Não é como a anos atrás e para mantermos a religião viva, para fazer as pessoas se sentirem abraçadas pela fé, fazer esta boa manutenção da mesma, devemos adaptar a religião à evolução do mundo. Resumindo, a religião deve caminhar com a evolução sem perder a sua fundamentação.

LOGUN-EDÉ.


Logun Edé (lógunèdè) é o orixá da riqueza e da fartura, filho de Oxum e Oxóssi, deus da guerra e da água. É, sem dúvida, um dos mais bonitos orixás do Candomblé, já que a beleza é uma das principais características dos seus pais.
Rei de Ilexá,caçador habilidoso e príncipe soberbo, Logun Edé reúne os domínios de Oxóssi e Oxum e quase tudo que se sabe a seu respeito gira em torno de sua paternidade.
Apesar de sua história, é preciso esclarecer que Logun Edé não muda de sexo a cada seis meses, ele é um orixá do sexo masculino. Sua dualidade se dá em nível comportamental, já que em determinadas ocasiões pode ser doce e benevolente como Oxum e em outras, sério e solitário como Oxóssi. Logun Edé é um orixá de contradições; nele os opostos se alternam, é o deus da surpresa e do inesperado.
Na Nigéria, a cidade de Logun Edé chama-se Ilexa e é uma das mais ricas e prósperas da África, anualmente fazem encontros com vários festivais vindo pessoas de toda as partes da África.
Na África negra, dizem que Logun Edé seria na verdade Ólògún Ode – o guerreiro caçador – o maior entre todos os caçadores, pai de todos eles, inclusive de Oxóssi. E se observarmos a cantiga de Oxóssi, veremos que expressão Omo ode, ou seja, filho do caçador, é constante, podendo inferir certa lógica nas histórias contadas pelos africanos, como também sua ligação com Ogun.
Oxum Yéyé Ipondá e Odé Erinlé Ibò, respectivamente, as qualidades de Oxum e Oxóssi que se consideram os pais de Logun Edé.
A história revela que Oxóssi, feliz pelo filho vindouro, declarou a Oxum o seu amor e pediu a ela posse do menino:
- Oxum, por amor a você, quero que Logun Edé fique comigo, vou ensiná-lo a caçar. Comigo ele aprenderá os segredos da floresta.
Mas Oxum também amava Logun Edé e por maior que fosse seu amor por Oxóssi ela não poderia separar-se de seu filho então declarou:
- Logun Edé viverá seis meses com sua mãe e seis meses com o seu pai, comerá do peixe e da caça. Ele será Oxóssi e será Oxum, mas sem deixar de ser ele mesmo, Logun Edé: um príncipe na floresta e um grande caçador.

Os filhos de Logun Edé possuem as características de Oxum, ou seja, narcisismo, vaidade, gosto pelo luxo, sensualidade, beleza, charme, elegância. Tem também características em comum com Oxóssi, ou seja, beleza, vaidade, cautela, objectividade e segurança.
No entanto, há características de Logun Edé que não pertencem nem a Oxum nem a Oxóssi. Na verdade, ele reúne o arquétipo de ambos, mas de forma superficial. A superficialidade é a marca dos filhos de Logun Edé, porque eles, ao contrário dos filhos de Oxóssi e de Oxum não têm certeza do que são nem do que querem. As qualidades de Oxum e de Oxóssi amenizam-se em Logun Edé.
Mas algo não se pode negar: os filhos de Logun Edé são bonitos e possuem olho-de-gato, algo que atrai e repele ao mesmo tempo. São mandões, os donos da verdade, os mais belos, cujo ego não cabe em si. Melhor não lhes fazer elogios em sua presença, a não ser que queira ver sua imensa cauda de pavão abrindo-se em leque. Quando têm consciência de que conseguem controlar os seus defeitos, os filhos de Logun Edé tornam-se pessoas muito agradáveis.
Os filhos de Logun Odé não andam! Pairam sobre o ar!
Logun Edé pertence ao panteão dos caçadores, é único, não tem qualidade, por isso só pode existir um iniciado numa casa de candomblé.

" Lògún Ëdë kékére Ödë mojúbà o. Ñöñö bi owurö o ji gini mu îrún
Timá lëhin yèyé rë, okanñoso gudugu Oda dohùn, ajongolo ökurin A ti bitibi ilebë, Ödara dëyin oju, ökunrin sëmbëluju Ñakota a bi ará fini "
" Jovem caçador, eu te saúdo.
Ágil, levanta-se ao amanhecer, com arco e flecha pendurados ao pescoço.
Apoiado as costas de sua mãe, ele é solitário e muito belo, belo até na voz, homem esbelto, ele usa roupas finas, Ele é belo até os olhos, homem muito belo, orgulhoso que tem o corpo muito belo "



OROGBÔ OU OROBÔ

Uma fruta muito utilizada no Candomblé assim como o obi. Importantíssima e imprescindível em assentamentos, boris, feituras e demais atos do Axé Orixá. Pertence a família das Garcínias e seu nome científico é Garcinia Kola Heckel, dentro da nação Angola também é conhecido como “falso nós de cola”.
Assim como o obi, os fundamentos de Orixá estão incompletos sem ele, aliás, não fazemos um Yawô sem esse fruto. Originário da África, também é encontrado na Polinésia, Ásia e Austrália.
Ao fazermos o abô, banho sagrado utilizado dentro do Candomblé, essa fruta é um dos itens ritualísticos. Podemos também utilizar o orobô para a consulta de um vivente quando se fizer necessário e claro que não substitui o Oráculo de Ifá. Ao mastigarmos, seu gosto desagrada ao paladar, pois incomoda um pouco, porém, é de imensa utilidade nos preceitos religiosos e serve também para “fechar o corpo” em nosso dia a dia. Também sendo utilizado como banho em determinados momentos de nossa vida quando passamos por algum problema que requeira esse banho.
Ao efetuarmos rituais de Orixá, depois que rezamos e jogamos o obi, fazemos a reza do orobô e procedemos com seu jogo, para sabermos se o Orixá aceitou ou não a obrigação que está sendo realizada.
Ele pode ser utilizado para qualquer Orixá, mas tem um significado para uma determinada qualidade de Xangô que não usa de forma alguma o obi.
Fruto sagrado dos Orixás, a exemplo do obi, não pode de forma alguma ser aberto e jogado por quem não seja feito no santo ou mesmo que não tenha suas obrigações em dia. Seu uso é dentro de Candomblé não pertencendo aos rituais da Umbanda.
Também é muito apreciado por Águé, sendo que em seus rituais é bom que seja sempre usado para aláfia, juntamente com o obi e mesmo na falta desse o orobô pode ser utilizado sozinho. Ainda existem algumas casas que utilizam o orobô no preparo de algumas comidas sagradas dos Orixás.

OBALÚAYÉ



Obaluaiyê quer dizer "rei e dono da terra" sua veste é palha e esconde o segredo da vida e da morte. Está relacionado a terra quente e seca, como o calor do fogo e do sol - calor que lembra a febre das doenças infecto-contagiosas. O lugar de origem de Obalúayé é incerto, há grandes possibilidades que tenha sido em território Tapá (ou Nupê) e se esta é ou não sua origem seria pelo menos um ponto de divisão dessa crença. Conta-se em Ibadã (ver mapa), que Obalúayé teria sido antigamente o Rei dos Tapás. Uma lenda de Ifá confirma esta última suposição. Obalúayé era originário em Empê ( Tapá ) e havia levado seus guerreiros em expedição aos quatros cantos da terra. Uma ferida feita por suas flechas tornava as pessoas cegas, surdas ou mancas.
OBALÚAYÉ representa a terra e o sol, aliás, ele é o próprio sol, por isso usa uma coroa de palha (AZÊ) que tampa seu rosto, porque sem ela as pessoas não poderiam olhar para ele. Ninguém pode olhar o sol diretamente. Esta forte mente relacionado os troncos e os ramos das árvores e transporta o axé preto, vermelho e branco. Sua matéria de origem é a terra e, como tal, ele é o resultado de um processo anterior. Relaciona-se também com os espíritos contidos na terra. O colar que o simboliza é o ladgiba, cujas contas são feitas da semente existente dentro da fruta do Igi-Opê ou Ogi-Opê, palmeiras pretas. Usa também bradga, um colar grande de cauris. OBALÚAYÉ é o patrono dos cauris e do conjunto dos 16 búzios, que reina do instrumento ao sistema oracular: o brendilogun, que lhe pertence. Seu poder está extraordinariamente ligado a morte. OBA significa Rei (Oni), ILU espíritos e AIYÊ significa terra, ou seja, Rei de Todos os Espíritos do Mundo. Ele lidera e detém o poder dos espíritos e dos ancestrais, os quais o seguem. Oculta sob o saiote o mistério da morte e do renascimento (o mistério do gênesis). Ele é a própria terra que recebe nossos corpos para que vire pó.
OBALÚAYÉ mede a riqueza com cântaros, mas o povo esqueceu-se de sua riqueza e só se lembra dele como o Orixá da moléstia.

Afirmam-se em registros bibliográficos ser Omolu e Obaluaiye um só Orixá em dois estágios: Obaluaiye (o Moço), significa o "Dono da Terra da Vida"; Omolu (o Velho) significa o "Filho-da-Terra". É o médico dos pobres; o senhor dos cemitérios. Usa o aze (capacete de pele da Costa) ou o filah (capuz de palha da Costa) e carrega na mão o xaxará (feixe de fibra de palmeira, enfeitado com búzios) Seu dia é a segunda-feira. Sua comida forte é o doburu (pipocas sem sal, coco fatiado e regado com mel). Registram-se 12 qualidades atribuídas a esse Orixá, que também é considerado o mais antigo do Panteão Afro, sendo as mais conhecidas: Sapata, Xapanan, Xankpanan, Babalu, Azoane, Ajagum, Ajunsun e Avimage.

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